Dicas de Saúde: Perigo de coçar ou esfregar os olhos
Oftalmologista alerta para perigo de alterações no formato da córnea. Ele apresenta diagnósticos e alternativas ao transplante, em congresso no RN entre os dias 19 e 22 de maio
SÃO PAULO [ ABN NEWS ] - “Coçar os olhos é um crime porque pode provocar lesões por trauma contínuo”. O alerta é do oftalmologista Renato Ambrósio Jr., do Rio de Janeiro. Ele conta que com o aumento da poluição, as pessoas têm mais conjuntivite alérgica e coceira. Com a fricção constante, a córnea fica mais frágil e flexível podendo chegar a uma dilatação em formato de cone. Trata-se do ceratocone – uma doença que atinge uma em cada 800 pessoas e é a causa mais comum de transplante de córnea.
Ambrósio Jr. irá apresentar métodos avançados de diagnóstico para essa doença, inclusive os desenvolvidos por ele e reconhecidos mundialmente, bem como novas formas de tratamento no 11º Congresso Internacional de Catarata e Cirurgia Refrativa. Ele ocorre simultaneamente ao 7º Congresso Internacional de Administração em Oftalmologia, entre os dias 19 e 22 de maio, em Natal, Rio Grande do Norte.
Diagnóstico precoce e com precisão
O principal problema de diagnóstico, quando se avalia somente a superfície ocular, é que não se consegue diferenciar o astigmatismo leve do ceratocone inicial. Para se ter precisão, o oftalmologista Renato Ambrósio Jr. criou um índice que avalia o afinamento antes do aumento da curvatura dos olhos. “Como é mais específico e sensível, é possível saber se a alteração é por ceratocone realmente ou outro problema refrativo. A partir disso, pode-se iniciar a intervenção mais bem adequada”, avalia o especialista, que acaba de ser eleito vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa (SBCR) e é presidente da Sociedade Brasileira de Administração em Oftalmologia (SBAO).
Além de conhecer a espessura, exames específicos analisam a resistência biomecânica. “Essa avaliação criteriosa é inquestionável. É possível desenvolver cirurgias de correção visual mais seguras e eficazes, tanto por selecionar os casos não-favoráveis quanto por fornecer elementos objetivos para o planejamento ideal”, explica Ambrósio Jr., que tem doutorado pela USP. Ele acaba de ganhar o 38º Prêmio Varilux, o maior e mais tradicional da oftalmologia brasileira, por pesquisa com prontuários de 89 olhos de 46 pacientes com ceratocone e intolerantes ao uso de lentes de contato. Ele demonstrou o impacto do exame wavefront (análise da frente de ondas) para melhorar a visão com óculos.
Novas cirurgias evitam transplante
O especialista explica que há 10 anos, quem não se adaptasse às lentes de contato teria indicação de transplante de córnea. Atualmente, cirurgias alternativas podem ser feitas com eficácia. “O mais moderno laser presente no Brasil, chamado femtosegundo, é usado para criar um túnel onde são inseridos segmentos de anéis específicos que regularizam a curvatura da córnea”, explica Ambrósio Jr. Outro procedimento é o crosslinking, que aumenta a resistência da córnea e pode ser associado ao remodelamento com laser para regularizar a superfície dos olhos.